Seguindo o Twitter do crítico de cinema Pablo Villaça, pude conferir uma entrevista que o canal de tv USA Today fez com parte do elenco de A Fantástica Fábrica de Chocolates (Willy Wonka & The Chocolate Factory, 1971). No vídeo abaixo, vemos Peter Ostrum (Charlie Bucket), Julie Dawn Cole (Veruca Salt), Denise Nickerson (Violet Beauregarde), Michael Bollner (Augustus Gloop), Paris Themmen (Mike Teevee) e Diana Sowle (a mãe de Charlie):
“Em sua pesquisa junto a pacientes terminais, Kübler-Ross (1997) identificou cinco estágios quando da tomada de consciência por parte do paciente, de seu estágio terminal. O primeiro estágio é a negação e o isolamento, fase na qual o paciente se defende da idéia da morte, recusando-se a assumi-la como realidade. O segundo estágio é a raiva, momento no qual o paciente coloca toda sua revolta diante da notícia de que seu fim está próximo. Nesta fase, muitas vezes, o paciente chega a ficar agressivo com as pessoas que o rodeiam. O terceiro estágio, a barganha, é um momento no qual o paciente tenta ser bem comportado, na esperança de que isso lhe traga a cura. É como se esse bom comportamento ou qualquer outra atitude filantrópica, trouxesse horas extra de vida. O quarto estágio é a depressão, fase na qual o paciente se recolhe, vivenciando uma enorme sensação de perda. Quando o paciente tem um tempo de elaboração e o acolhimento descrito anteriormente, atingirá o último estágio, que é o da aceitação.”
Totalmente aplicavel a QUALQUER perda. Seja física, psicologica, material ou conceitual...
Desde 1968, quando ganhou um Emmy pelo documentário “The Eye of the Storm”, a educadora americana Jane Elliot dedica-se à realização de workshops onde ela aplica um exercício de um dia de discriminação a um grupo de pessoas. O documentário Olhos Azuis conta a experiência de um desses workshops.
O workshop funciona da seguinte maneira:
Os participantes são expostos a um exercício de discriminação baseado na cor dos seus olhos. Os participantes de olhos azuis são marcados com um colar e são identificados como o grupo inferior. Todos os estereótipos negativos que geralmente são aplicados a mulheres, negros, homossexuais... por homens e pessoas brancas são aplicados a eles. Os que não possuem olhos azuis são designados como superiores e são incentivados a discriminar fortemente os "outros", chamados de forma depreciativa de "olhinhos azuis".
Durante o período de discriminação os olhos azuis são severamente criticados, xingados, tratados como inferiores, e tudo é atribuído somente à cor dos seus olhos. Frases do tipo: "isso só podia vir de um olho azul mesmo", ou "seu olhinho azul" (dita com total desprezo) são proferidos em vários momentos pelo instrutor e pelos participantes marcados como superiores. Os olhos azuis são obrigados a esperar um longo tempo em uma sala quente, sem comida, enquanto espera o início do workshop. Tudo isso para fazê-los se sentir realmente seres inferiores.
É muito impressionante ver o efeito da discriminação sobre o humor, auto-estima, auto-confiança e astral dos participantes. Como eles estavam ao início e como eles ficaram ao final. Muitos choram. Pedem que ela pare de tratá-los daquela maneira. E o mais interessante é que as vítimas de discriminação aqui são pessoas que fazem parte do grupo dominante na vida real, e portanto estao acostumados a discriminar e nunca a serem discriminadas.
Muitos questionam o método classificando-o como "cruel" e "desumano" (especialmente porque ela o aplica frequentemente em crianças da escola em que ela ensina). A professora já tem a resposta na ponta da língua e leva o espectador a refletir: se um dia, um único dia de discriminação causa tamanho efeito em uma pessoa, o que dizer de uma vida inteira cercada pelo preconceito? Como uma criança que é discriminada desde o momento do seu nascimento pode competir em igualdade com outra que é estimulada, amada e incentivada? Isso não é cruel? Não é totalmente desumano?
Um filme incrível, imperdível, para assistir com calma, refletindo sobre o que ocorre na tela, mas principalmente sobre nossas ações no dia a dia.. Será que muitas vezes não agimos como os olhos marrons sobre pessoas "de olhos azuis" por aí?